Fique por Dentro

Pouco valorizada, a agricultura familiar responde por 35% do PIB brasileiro

a foto mostra, de baixo para cima, uma senhora mexendo cuidando da lavoura. Ao seu lado esquerdo um carrinho de mão amarelo
Publicado em: 29/junho/17   |   Autor: Por Diogo Telles - Coordenador Geral de Assuntos Parlamentares da SEAD (Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário) e membro do Conselho Curador da Fundação 1º de Maio

Responsável por colocar diariamente comida na mesa dos brasileiros e exercida essencialmente por quem também tira da terra o próprio sustento para sobreviver, a agricultura familiar ainda é pouco valorizada, não somente pela população que dela se beneficia, como também por aqueles que poderiam dar melhores condições a esses trabalhadores. 

A agricultura familiar no Brasil é fundamental para a economia dos pequenos municípios brasileiros. O Censo 2010 registrou que 29.852.986 pessoas vivem em áreas rurais no país, o que representa 15,65% da população, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto a população urbana soma 160.879.708 (84,35%) pessoas. Hoje, a agricultura familiar é a base econômica de 90% dos municípios brasileiros, responde por 35% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e está ligada a 40% da população economicamente ativa do país.

De acordo com dados do Censo Agropecuário de 2006 (último censo que foi feito), cerca de 4,4 milhões de unidades produtivas no país - metade delas situada na região Nordeste - são propriedades rurais pertencentes a grupos familiares. As pequenas propriedades, que produziam somente para o consumo próprio, vêm agregando renda com sua produção, comercializando os produtos para a população e para os governos municipais através dos programas do governo federal, como o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) e o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos). Essas propriedades são responsáveis pela produção de 87% da mandioca, 70% do feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz, 21% do trigo, 60% da produção de leite, 59% dos suínos, 50% das aves e 30% dos bovinos, alimentos estruturais na alimentação brasileira.

Depois de muita luta, o Governo Federal está reconhecendo a importância da Agricultura Familiar para o crescimento do país e vem aplicando políticas para incentivar e colaborar com a produção dos pequenos agricultores, exemplo disso, está na apresentação do último Plano Safra para a Agricultura Familiar, onde foi anunciado o investimento de mais de 30 bilhões de reais a ser disponibilizado para os pequenos agricultores tomar crédito junto as instituições financeiras.

Entretanto, ainda temos um longo caminho pela frente. A falta de investimento na Agricultura Familiar nos últimos anos, vem causando grande perda de interesse entre os jovens agricultores, precisamos incentivar a sucessão rural no campo, os jovens precisam continuar este trabalho importante que seus pais vêm desenvolvendo ao longo dos tempos. Se não tomarmos consciência que os pequenos agricultores são responsáveis pela produção de 50% dos alimentos que vão para a mesa dos brasileiros, num futuro próximo, teremos uma crise muito séria de alimentos básicos para a nossa alimentação. Vamos formar uma corrente um prol da Agricultura Familiar no Brasil. Se o campo não planta, a cidade não janta.

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