Fique por Dentro

Saúde pública de qualidade para salvar economia e empregos

Consultor da Fundação 1º de Maio, Claudio Prado
Publicado em: 11/junho/21   |   Autor: Claudio Prado


De acordo com dados do projeto UTIs Brasileiras, 29,7% dos pacientes de UTIs de hospitais privados morrem depois de terem a COVID-19. No entanto, a proporção de mortes é ainda maior na rede pública: 52,9%. Ou seja, um aumento de 23,2 pontos percentuais (ou 78%) em relação ao serviço particular.

As razões para isso são muitas, sendo a principal o fato de os doentes já chegarem aos hospitais públicos em condições ruins. Os dados do projeto mostram que, entre os pacientes internados da rede privada, 39,4% requerem intubação. Já no caso da rede pública, o número vai para 63,2%.

“São pacientes que já vêm de um histórico e de condições piores de cuidados e tratamentos de saúde”, pontua Ederlon Rezende, coordenador do projeto UTIs Brasileiras.

                                         

 

As informações sobre a mortalidade nos leitos de terapia intensiva computadas na plataforma do projeto UTIs Brasileiras têm como objetivo servir de orientação para gestores de saúde. A plataforma reúne dados de 652 hospitais, o equivalente a cerca de 25% das unidades de terapias intensivas no país. São 403 unidades da rede privada e 249 da rede pública de saúde, o que corresponde a 20.865 leitos.

"Nunca foi tão clara a necessidade de um sistema nacional de saúde de excelência para que possamos ter desenvolvimento econômico, social e proteger a vida da população”, afirma Rezende.

 

                                                     

 

 O SUS realiza 2 bilhões de procedimentos a cada ano, entre cirurgias, tratamentos, internações, vacinas, campanhas e outras atividades. Em todo o país, 42 mil postos de saúde atendem gratuitamente a população.

Mas é importante lembrar que, mesmo antes da pandemia, o SUS estava invisível, abandonado e sem recursos. Os principais pontos que já desafiavam a capacidade de melhora são:

1.          1.      Baixos investimentos

2.      Falta de profissionais na saúde pública

3.      Infraestrutura defasada

4.      Tecnologia de baixa qualidade

5.      Superlotação nos hospitais

6.      Doenças alarmantes

 

Apesar da falta de recursos, SUS é herói no combate à pandemia da COVID-19

O contexto de pandemia trouxe o olhar da população para o SUS, representado pelos inúmeros profissionais de saúde e pela sua solidariedade nunca antes vista neste momento de caos sanitário.

Após o período de pandemia, é o momento de o SUS começar a ser respeitado pelas autoridades federais, com valorização do serviço e maior orçamento.

 

Nova doença trouxe desafios ao SUS

Três conceitos fundamentais são a base para o desempenho correto do SUS nos moldes em que foi proposto: universalidade, equidade e integralidade. Como esses três pilares estão intimamente relacionados, a performance de um afeta a dos outros.

A má equidade, ou seja, o investimento desequilibrado, afeta a integralidade por não permitir a assistência médica necessária em todos os níveis. A situação, por sua vez, implica no não alcance da universalidade, fazendo com que o sistema público de saúde brasileiro não alcance da mesma forma a todos que estão no território nacional.

Além disso, enquanto o trabalho não chega para cerca de 15 milhões de brasileiros, 6 milhões de desalentados (pessoas sem vínculo empregatício e seguridade social) e 46% de jovens à espera da empregabilidade, os números gritantes da desigualdade social só cresce.

A desigualdade também fez o número de desabrigados crescer nas inúmeras cidades do Brasil. São milhões de famílias sem trabalho, sem teto, sem comida, sem plano de saúde e em meio a pandemia da COVID-19.