Fique por Dentro

Participação política: as pedras no caminho da roça

Agrônomo e deputado federal pelo Solidariedade/MG, Zé Silva
Publicado em: 30/maio/21   |   Autor: Zé Silva

A luta e a organização das mulheres trabalhadoras vem de longe, se construindo e se fortalecendo junto com a história da humanidade. Mas mesmo após grandes conquistas, como o sufrágio universal, a trajetória das trabalhadoras ainda enfrenta empecilhos. O Estado brasileiro tem uma enorme dívida com as populações do campo e essas trabalhadoras e trabalhadores rurais.

Historicamente, os governantes fizeram a opção por um processo de desenvolvimento equivocado, com o pressuposto de que, para haver qualidade de vida e mais felicidade, seria necessária uma mudança para a cidade.

Refletindo sobre as conquistas sociais ao longo do desenvolvimento do país, é possível constatar que as melhores escolas estão em território urbano. Além disso, infraestruturas de pavimentação, energia elétrica, telefonia móvel, internet, lazer, saúde, entre tantas outras atividades, também são centralizadas nas cidades. O desenvolvimento rural acaba sendo deixado sempre por último. 

Esse contexto foi e ainda é um dos responsáveis pela migração das pessoas em busca dos sonhos no ambiente urbano. Na década de 70, o campo era composto por 85% da população, mas hoje o número é de 15%. Além de levar a população rural a um esvaziamento e envelhecimento, essa situação encaminhou as cidades médias e grandes a um colapso, pois não tinham infraestrutura habitacional adequada. O resultado foi um inchaço de cidades e explosão dos índices das mazelas sociais. 

Os trabalhadores que migraram do campo em busca de uma vida melhor ainda se depararam com outros problemas como a questão trabalhista, já que chegam à cidade grande em desvantagem na disputa por uma vaga de trabalho. A participação política é outro ponto, pois a própria formação da trabalhadora e do trabalhador já se compromete por conta da menor qualidade de ensino no meio rural em relação ao meio urbano, além da já existente desigualdade de gênero.  

Na Câmara de Deputados, sigo com o compromisso de valorizar o campo. Tenho como desafio garantir às populações rurais os mesmos direitos e conquistas sociais das populações das cidades, destacando a participação política, por meio do meu mandato, da roça para o Congresso Nacional.


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