Fique por Dentro

Porque precisamos de mais mulheres na política

Advogada e Consultora Jurídica da Fundação 1° de Maio, Denise Neri
Publicado em: 23/junho/20   |   Autor: Denise Neri

A luta da conquista do voto feminino vem de longa data. Apesar dos avanços em termos de empoderamento, há muito a conquistar ainda.

Em pleno século 21, nos deparamos com instituição de cotas de gênero para participar do processo eleitoral. Os partidos na composição das suas chapas, são OBRIGADOS por lei a preencherem com 70% de um gênero e 30% de outro gênero, aí ficou conhecida a lei de cotas de 30% de mulheres, porque claro, existe o estigma de que mulheres não gostam de política.

Grande balela, uma inverdade que foi construída pelo machismo. Nós mulheres gostamos de política sim e fazemos o tempo todo. O que acontece é que somos discriminadas e pouco ouvidas nos espaços políticos partidários.

Já conseguimos um grande avanço em número de eleitas, se compararmos as eleições anteriores. Em 2018, houve um aumento de pouco mais de 50%, mas ainda assim o número é insignificativo. Das 513 cadeiras na Câmara Federal, ocupamos 15,01% , nas Assembleias Legislativas 15,56% e nas Câmaras municipais 13,49% (7803 eleitas num total de 57.814). No Senado somos apenas 12 mulheres, representando 16% daquela casa.

A pergunta é o porquê dessa baixa representatividade se somos a maioria do eleitorado no país? Hoje somamos 52,5% das eleitoras do país e não elegemos nem os 30% da cota de gênero nas casas legislativas.  

Quando analisamos os dados dos cargos executivos, os números são assustadoramente menores. No total, 30 mulheres se candidataram para o cargo de governador em 2018. Entre as 27 unidades da federação, 8 Estados não tiveram nenhuma candidata. Apenas 1 mulher foi eleita. Nos cargos a prefeita, apenas 638 num universo de 5.569 municípios.

Precisamos desconstruir essa cultura de que mulher não gosta de política, que não somos competentes para trabalhar no meio político e que não estamos preparadas para enfrentar as paixões políticas.

Nós estamos e somos tão ou mais competentes que qualquer homem nas propostas de políticas públicas, pois além de vivenciarmos os problemas da nossa comunidade diariamente, sabemos exatamente as necessidades e de como solucioná-las. Afinal, na maioria das vezes, são as mães que enfrentam as filas para conseguir uma vaga na creche, a matricula de seu filho na escola mais próxima da sua casa e as necessidades nos postos de saúde. Nós convivemos com os problemas diários.

Precisamos estar nas Câmaras municipais legislando e fiscalizando o poder executivo. Precisamos estar nas prefeituras executando as melhores políticas públicas para a população e executar o orçamento de acordo com as necessidades prementes.

Precisamos estar nas Câmaras Federais para discutirmos as pautas femininas e mais que tudo isso, precisamos acabar com o estigma de que não gostamos de política.

Enquanto não acontece naturalmente a eleição de mulheres na mesma proporção de homens, temos que apresentar projetos que garantam nosso direito de participar.

Não queremos ser adversarias dos homens, mas concorrentes em grau de igualdade, porque ainda contamos com a sensibilidade que nos envolve no dia a dia. Somos mulheres batalhadoras e guerreiras desse País. A maioria sustenta seus lares e criam seus filhos com pouca ou quase nenhuma ajuda dos pais. Cuidamos do lar, da educação dos filhos, da economia doméstica. Podemos sim, cuidar das políticas públicas do nosso País. Reflitam sobre a igualdade de gênero na política e porque não estamos acreditando em nós mesmas. Eu acredito em você.


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