Fique por Dentro

Redução de investimentos e desigualdade social são obstáculos da Educação no país

Estudantes em manifestação pela educação, em São Paulo | Foto: Rovena Rosa, Agência Brasil
Publicado em: 09/abril/20   |   Autor: Laura Luz

No Brasil, a Educação é um direito garantido pela Constituição, mas, assim como inúmeros outros, não é devidamente cumprido na oferta de qualidade e oportunidades. O abismo entre a educação pública e privada também é uma das problemáticas, visto que não permitem igualdade de conhecimento entre os estudantes. Para compreender a dimensão do impacto no aprendizado, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), alunos do 9º ano com baixo nível socioeconômico apresentaram 7,5% de aprendizado adequado em Língua Portuguesa. Já estudantes com melhor condição econômica, atingiram 71,6%.


Desigualdade social

No caso da educação pública, a defasagem do ensino é um antigo conhecido. Escolas sem estruturas, professores sem o material mínimo necessário e sucateamento de verba para obras de melhoria são alguns dos grandes obstáculos. De acordo com o estudo do Todos Pela Educação: 2,46 milhões de crianças e jovens de 4 a 17 anos estão fora da escola, a maioria de baixa renda.

As questões socioeconômicas influenciam diretamente no desempenho e evasão escolar. Os maiores motivadores apontados pelo estudo são:

·        -  Situação financeira da família;

·        - Baixa ou nenhuma escolarização dos responsáveis;

Domicílio localizado em áreas distantes ou rurais.


Segundo avaliação do Plano Nacional de Educação (PNE), para cada 100 alunos da rede pública que entram na primeira série do fundamental, somente 47 terminam o 9.º ano na idade correspondente, 14 concluem o ensino médio sem interrupção e apenas 11 chegam à universidade.

Dos alunos que completam o ensino médio em escolas públicas, apenas 36% ingressam no ensino superior. Nas escolas particulares esse número dispara para 79,2%, aponta pesquisa do IBGE.


Violência

Outra grande dificuldade da educação brasileira é o ambiente hostil em que professores e alunos estão submetidos. Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil lidera o ranking de agressões contra docentes. Estima-se que 12,5% dos professores sofrem, pelo menos, um tipo de agressão verbal ou ameaça por semana.

De acordo com pesquisas da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), na rede pública, a violência atinge 42% dos alunos. Entre ameaças, xingamentos, bullying e agressões, o ambiente que deveria ser seguro e para aprendizado, se torna mais um espaço de opressão e medo.

Locais onde as violências mais ocorrem:

·       - 25% dentro das salas de aula

·       -  25% nos pátios escolares

·       - 22% nos corredores da escola


Segundo a socióloga e pesquisadora Míriam Abramovay, em entrevista para a revista Época, existe um conjunto de fatores que interferem na maneira que a violência acontece: “Infraestrutura, conjunto de regras da instituição e relações interpessoais constituem o chamado clima escolar, que, quando deficitário, interfere nas taxas de violência”.


Evasão escolar

Segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Brasil tem a 3ª maior taxa de evasão escolar entre 100 países. O ensino médio é o maior desafio escolar do país, de acordo com a coordenadora do programa de educação do Fundo das Nações Unidas para a Infância, no Brasil (Unicef), Maria de Salete Silva.

Dos adolescentes entre 15 e 17 anos, 62% estão fora da escola, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Mais de 1 milhão de jovens abandonaram os estudos e, a maioria deles, justificam a desistência por precisarem escolher entre trabalhar ou estudar.

Maiores fatores para evasão:

·         - Trabalho (39,7%)

·         - Falta de interesse (20,1%)

·         - Cuidar de pessoas ou afazeres domésticos (11,9%)


A forma como os educadores são tratados, também reflete na qualidade do ensino. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (ODCE), o salário mínimo pago aos professores no Brasil é um dos piores do mundo. Eles trabalham muitas vezes em situações insalubres e estão expostos a inúmeras vulnerabilidades, sem apoio ou segurança do Estado.

Além dos problemas citados, a falta de recursos é um dos maiores responsáveis pela dificuldade da progressão educacional no país. A criação e manutenção de laboratórios, bibliotecas e a distribuição de material didático básico são obrigações do poder público – ou deveriam ser. Entretanto, em quatro anos, houve uma redução de 56% nos investimentos em educação. Entre 2014 e 2018, a verba diminuiu de R$ 11,3 bilhões para R$ 4,9 bilhões.

Enquanto a Educação não for vista como a base e grande influenciadora de todos os outros setores da sociedade (economia, saúde, cultura, trabalho) a decadência e o desmonte educacional será cada vez maior. “Não há nenhum país no mundo em que a educação superior influencie tanto o ganho ao longo da vida quanto o Brasil. A resposta é garantir que todas as crianças tenham acesso à educação de qualidade. Isso é a melhor garantia de uma sociedade mais inclusiva”, afirma o diretor de educação e de competências da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Andreas Schleicher, em entrevista para o jornal Valor Econômico.

Permitir acesso à escola não é suficiente para resolver os problemas educacionais da rede pública. O Estado precisa garantir que todos estejam inseridos de maneira igualitária, para que a chegada ao ensino superior e/ou empregos melhores sejam realidade da maioria. 

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