Fique por Dentro

O que é Consciência Negra em um dos países com maior desigualdade racial do mundo

Manifestantes, na Avenida Paulista, seguram uma faixa contra o genocídio do povo preto | Rovena Rosa/Agência Brasil
Publicado em: 07/novembro/19   |   Autor: Laura Luz

Novembro, o Mês da Consciência Negra, é marcado por atividades culturais para evidenciar a ancestralidade do povo negro e reafirmar a busca por uma sociedade justa. A data da morte de Zumbi dos Palmares, 20 de novembro de 1695, é utilizada como marco da luta coletiva da população negra no Brasil e originou o Dia da Consciência Negra. Atualmente, as pautas do movimento negro ganham força neste mês e destacam o que os ativistas se esforçam o ano inteiro para mostrar: sua existência. Segundo dados da Oxfam, de 2017, o Brasil é um dos dez países mais desiguais do mundo e as pessoas mais atingidas são negras.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Fundação Abrinq, o assassinato de jovens negros aumentou 429% em 20 anos. Os debates raciais tomaram a internet, as universidades, o cenário político, e trouxeram à tona a discussão sobre a resistência do povo negro em uma sociedade genocida. 

No Brasil, negros representam 54% da população e, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 75% das pessoas assassinadas. O cenário cada vez mais desigual mostra a violência e racismo sofrido pela maioria da população brasileira – reitero: negra. Na educação, como aponta o Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf), apenas um terço dos brasileiros negros entre 15 e 64 anos são alfabetizados. Entre brancos, esse índice corresponde quase à metade (45%). Na saúde, 80% da população que só tem o SUS como opção é negra – e também é o grupo que mais sofre com doenças, violências obstétricas e mortes evitáveis. De acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT), desde 2014, aumentou em 30,5% o número de denúncias por discriminação. Ainda no mercado de trabalho, segundo o IBGE, brancos recebem, em média, 72,5% a mais que negros. 

Os dados revelam o que é ser uma pessoa negra em um país tão desigual, onde o acesso à direitos básicos como saúde e educação são negligenciados o tempo todo. No mês em que se discute a existência, dificuldades e importância do povo negro, se ressalta também o recorte da exclusão e vulnerabilidade social que estão expostos. A luta por representatividade, reconhecimento, equidade e respeito é contínua, enquanto existir – por si só – se torna um ato político e de resistência.




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