Fique por Dentro

Mais Médicos ou Mais Saúde?

Médico olhando um exame
Publicado em: 10/abril/19   |   Autor: Diógens Sandim - Médico sanitarista e Coordenador Inter-institucional da Fundação 1° de Maio

Nesta semana que comemoramos o dia Mundial da Saúde (07/04), nada melhor para avaliarmos o Sistema Único de Saúde do que o programa Mais Médicos. O programa criado ainda no governo Dilma, em resposta as manifestações populares de junho de 2013, representa em seu percurso de existência as mazelas das gestões políticas do SUS no país.

Em toda mídia digital, escrita e falada não cansam de anunciar as desistências de profissionais médicos do programa Mais Médicos. Na semana passada, o Ministério da Saúde confirmou que 1052 profissionais desistiram do programa nos primeiros três meses do ano. Na região de Marília (SP), quase 40% dos médicos que preencheram as 27 vagas no começo do ano já desistiram ou abandonaram o programa. Isso em uma região desenvolvida, não estamos falando de regiões remotas, onde os recursos são escassos e os atrativos para fixarem o profissional são totalmente inexistentes. 

Em um primeiro momento foi positivo o “Programa Mais Médicos”, com a participação de mais de 11.000 profissionais cubanos preenchendo compulsoriamente, pós-contrato, as vagas de regiões de escassas possibilidades de atrair médicos voluntariamente, como nas áreas indígenas e nos grotões do interior do país. Sem dúvida, apesar de não ser uma proposta estratégica para atenção integral a saúde do brasileiro, teve uma repercussão positiva entre a população usuária que antes não contava com o mínimo de assistência médica para seus problemas de saúde. O que essa população antes desassistida completamente passou a receber foi a atenção de um médico, que mesmo as vezes sem recursos para um adequado atendimento representou pelo menos uma escuta, que já era muito para esses brasileiros excluídos. 

Na minha opinião de médico sanitarista, há mais de 40 anos com experiência na saúde pública, o Mais Médicos menos do que um programa, deveria ser apenas um Projeto para somar-se a um futuro programa de caráter bem mais amplo, que ao invés de ser chamado Mais Médicos deveria ser chamado Mais Saúde, sintonizado com os objetivos dos princípios do SUS, que são: Universalidade, Integralidade da Saúde e Equidade no atendimento. 

Em um programa construído com esses objetivos, a participação de médicos estrangeiros em nosso sistema de saúde seria apenas uma passagem temporária, o suficiente para ser construído as condições necessárias para que o Sistema Único, a partir da Atenção básica, pudesse dar conta de todas as necessidades da atenção a saúde do cidadão brasileiro, estando ele onde estivesse. Para tanto, seria necessário Afirmação e Confirmação de um sistema Regionalizado, Hierarquizado e Integrado funcionando de fato em todo território nacional (proposta original do SUS), utilizando a Telemedicina como complemento para esclarecimento diagnóstico, encaminhamento regionalizado (para os casos mais complexo) e capacitação profissional. Seria então, por meio da telemedicina que os médicos poderiam reciclar seus conhecimentos através de cursos à distância e tirar suas dúvidas diagnósticas, recorrendo virtualmente a um plantão remoto com médicos plantonistas experientes, dando segurança aos profissionais do programa. 

Essa proposta encaminhamos ao Ministério da Saúde, na época sob a direção do ministro Alexandre Padilha e não houve interesse da parte dele. Hoje, após a saída dos médicos cubanos e sofrendo desistência em massa dos médicos brasileiros inscritos, é nosso entendimento que sobra ao atual ministro da saúde, o sul-mato-grossense doutor Luiz Henrique Mandetta, uma alternativa que só por consciência sanitária e vontade política poderia entender e implantar a proposta programática do SOLIDARIEDADE: Mais Saúde, o SUS que funciona. Programa esse, defendido pelo Solidariedade no hall de suas propostas para a Saúde. Essa proposta foi construída na origem ideológica do nosso partido, Humanismo Sistêmico, que tem no modelo do nosso Sistema Único de Saúde sua forma mais bem-acabada, se colocada em pratica.

Viva o Dia Mundial da Saúde!

Viva o SUS! 

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