Fique por Dentro

Violência contra a criança e adolescente: é importante ficar atento

uma mulher tapando o rosto com as mãos
Publicado em: 13/outubro/16   |   Autor: Ylka Karine Teixeira

A violência está inserida em nossa cultura desde o processo de colonização, passando pela escravidão, até a sociedade patriarcal onde a disciplina é estabelecida pelo autoritarismo e pela força física. Nos dias atuais uma das formas utilizadas para impor autoridade, principalmente sobre os mais frágeis, como crianças e mulheres, é a força física. Culturalmente muitos adultos não consideram essas punições como violência e acreditam que tais ações são necessárias no processo de educação dos filhos.  Essa cultura, onde o mais forte domina sobre o mais fraco, pode fazer com que casos de abusos físicos, sexuais e psicológicos passem despercebidos e tenham a aprovação de parte da sociedade. Outro fator que colabora para que a violência não chegue as autoridades competentes é o fato de que, em grande parte dos casos, o autor da violência faz parte da família ou do círculo de confiança da vítima. Assim, o medo e a vergonha ou até o desconhecimento da gravidade do ato, por conta da idade e da fragilidade, faz com que o autor não seja denunciado e o caso se repita várias vezes. Um agravante, é a ideia de superioridade masculina que está intrinsecamente embutida na mente dos brasileiros. Segundo dados divulgados em 2015 pelo Disque 100 da Secretaria Especial de Direitos Humanos, do Governo Federal, foram registradas 17.588 denúncias de abuso sexual contra crianças e adolescentes no mesmo ano, o que equivale a duas denúncias por hora. Totalizando 22.851 vítimas, sendo que 70% delas foram meninas. Além disso, precisamos prestar atenção em outro elemento agravante, o julgamento moral e a exposição a qual as vítimas são submetidas. Um exemplo recente é o caso da jovem de 16 anos que sofreu um estupro coletivo no estado do Rio de Janeiro. As imagens da vítima nua e desacordada foram expostas pelos agressores e viralizaram rapidamente por meio de aplicativos de mensagens por todo o país. Também foi comum ouvir o comentário de pessoas dizendo que ela merecia o que sofreu ou que estava procurando, já que a jovem afirmou ter bebido no dia e já ter praticado sexo grupal antes.  


Vítimas marcadas para sempre  

Vale ressaltar ainda que as consequências em termos psicológicos muitas vezes são eternas, uma vez que a maioria dos casos de violência, seja física, sexual ou psicológica, acontecem na mesma fase em que o indivíduo está em processo de formação de caráter e autoestima, ocasionando assim, vários problemas nas relações pessoais e afetivas dessas pessoas. Para a psicóloga Andreza Leite corrigir um ato da criança com castigos físicos, faz com que ela tenha vontade de se vingar, além de, provavelmente, algum tempo depois reproduzir tal ato, já que inconscientemente nós damos aquilo que recebemos ou ensinamos da mesma forma como aprendemos. ?É importante entender a queixa da criança. Muitos pais se sentem culpados pela ausência devido os afazeres do dia a dia e não conseguem dizer não, assim criam os filhos sem limites e não sabem como corrigir, reproduzindo o tratamento que tiveram quando crianças?, ressalta a psicóloga. É importante prestar atenção em atitudes e comportamentos diferentes por parte dos filhos, sobrinhos e crianças próximas a você. As vezes por meio de gestos elas conseguem sinalizar atos que tem dificuldades em verbalizar.  


Assessoria Fundação 1º de Maio

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