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Decida Meu Voto: uma nova aposta para uma verdadeira política representativa

A imagem dividida em seis espaços, mostra em cada um deles um aparelho celular. Na tela em branco de três dos aparelhos lê-se a palavra sim e na dos outros três a palavra não.
Publicado em: 20/abril/17   |   Autor: Adriana Santos

Por Adriana Santos 

Internet, democracia e o discurso antipolítico, o deputado estadual do Rio Grande do Norte pelo Solidariedade conversa com a Fundação 1º de Maio sobre um novo jeito de fazer política

Falando sempre em terceira pessoa (nós), o valor dado ao coletivo é uma constante em sua fala, Kelps Lima, deputado estadual do Rio Grande do Norte pelo Solidariedade, parlamentar que mais aprovou emendas constitucionais na história do estado, fala sobre o seu novo aplicativo Decida Meu Voto, que promete revolucionar a forma de fazer política.

Formado em direito e com uma carreira já consolidada, Kelps decidiu entrar para a política seguindo o sonho de participar ativamente da transformação do Rio Grande do Norte. Preocupado com o distanciamento cada vez maior entre a população e o processo político, e atento às possibilidades trazidas com o advento das redes sociais, desenvolveu uma ferramenta que permite aos cidadãos opinarem sobre os projetos em debate no plenário, definindo o voto do parlamentar.

Em entrevista para a Fundação 1º de Maio, Kelps nos conta sobre como concebeu o aplicativo, seus objetivos e os caminhos na direção de uma verdadeira democracia representativa.

Fundação 1º de Maio - Como surgiu a ideia de fazer o aplicativo?  

Kelps Lima - O aplicativo de celular Decida Meu Voto é um dos elementos da construção do conceito de nossa atuação parlamentar. A distância entre detentores de mandatos e a opinião pública é favorável a um status quo que usa a atividade política de forma corporativa: controlando a legislação, o conteúdo, a rotina do poder e até a condução do universo de escolha de candidatos e eleitos. Para nós, que temos origem em grupos sociais fora do eixo tradicional eleitoral, quanto mais exposição da atividade política melhor, pois favorece os agentes que estejam mais preparados para lidar com a coisa pública e mais bem-intencionados. Por isso, fazemos um esforço tremendo para atrair a atenção cada vez maior das pessoas para o dia a dia da política. Antes do aplicativo, criamos um ambiente para isso: aprovamos uma emenda constitucional que permite a apresentação de projetos de lei de iniciativa popular, nos tornamos o deputado estadual com maior quantidade de seguidores nas redes sociais e produzimos uma candidatura majoritária abandonando práticas eleitorais convencionais, como o papel e o carro de som, que não foram usados na campanha. Investimos em uma campanha digital e nossos vídeos da propaganda eleitoral para a prefeitura de Natal foram todos feitos em celular.

Como ele vai funcionar?

Postamos no aplicativo Decida Meu Voto os projetos de relevo que estão em tramitação na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte e perguntamos à população qual deve ser a nossa posição em relação a eles. O resultado da votação no aplicativo será acatado pelo nosso mandato mesmo que nossa posição pessoal seja contrária ao que foi determinado pela consulta feita no Decida Meu Voto. Para isso, criamos um requisito: para que nosso voto seja mudado em algum determinado tema é necessário que pelo menos 20.140 pessoas participem de cada votação específica. Caso contrário, ficaríamos expostos a pequenos grupos organizados com interesses segmentados. Este número de 20.140 representa a mesma quantidade de votos do parlamentar que teve menor votação para a Assembleia do RN em 2014.

O que se espera com o aplicativo?

 O aplicativo já é um sucesso. Ganhou repercussão internacional (fomos procurados até por um jornalista de Portugal), virou notícia em sites de democracia digital no Brasil, ocupou espaço nobre em quase todos os veículos de comunicação do RN e teve o número de downloads esperado. Ele não é uma ferramenta pontual. Nossa expectativa é que vá ganhando maior relevância com o tempo e com a natural adesão das pessoas ao debate dos temas polêmicos que estão por vir nas votações da Assembleia, como o aumento da alíquota da previdência, de 11% para 14%, nos salários dos servidores do RN.

É muito comum ouvir as pessoas fazendo uma relação direta entre política e corrupção, como se fossem indissociáveis. Você acredita que o aplicativo pode ajudar a desconstruir essa ideia? 

O aplicativo é o antídoto contra a corrupção. Aonde se tem notícia de corrupção entre os parlamentares no Brasil? Nas relações entre empresas que influenciam os votos dos políticos nos projetos. O nosso aplicativo conduz para que a sociedade influencie no nosso voto. Então, um parlamentar que tem um aplicativo como o Decida Meu Voto, não pode alterar seu voto por acordo com empresas. O Decida Meu Voto é um antídoto contra a corrupção.

Hoje, com o advento da internet, vemos surgir várias iniciativas que visam transformar relações competitivas e individualistas, em relações de compartilhamento, de ajuda mútua, como o crowdfunding, por exemplo, uma forma de financiamento colaborativo voltado para projetos que beneficiem a sociedade.  O aplicativo surge baseado nesses princípios? De que maneira o aplicativo poderá beneficiar a sociedade?

O nosso maior objetivo é fazer o cidadão comum entender que no momento em que ele mirar os olhos para a atuação dos políticos e passar a ter uma agenda de fiscalização da classe política, a produtividade dos parlamentares e dos gestores vai dar um salto e só nesse movimento a vida corriqueira do brasileiro vai melhorar muito. O Decida Meu Voto tem a finalidade que está literalmente estampada no seu enunciado. Queremos que as pessoas no entorno do nosso mandato, a maior quantidade que pudermos alcançar, se sintam donas do mandato e influam na nossa atuação. Como temos convicção da qualidade do nosso conteúdo, só temos a crescer com esse movimento.

Nos últimos anos, houve um crescimento do discurso antipolítico, uma total recusa de parte da população à política. Você acredita que iniciativas como essa podem aproximar as pessoas da prática política?

O discurso contra os políticos é um fenômeno ancorado na péssima qualidade da atuação da classe política brasileira. Durante muitas décadas os políticos tradicionais alimentaram a expertise eleitoral e se esqueceram de qualificar a gestão. O clímax dessa irresponsabilidade veio com os últimos mandatos, tanto na esfera federal quanto nas demais camadas administrativas. A corrupção é um pedaço do desmantelo construído pela irresponsabilidade fiscal e a leviandade administrativa. Quem insistir em continuar se especializando apenas na prática eleitoral, sem lastro de qualidade também na gestão, será vítima da cadeira elétrica que dos cargos majoritários no Brasil.

 

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