Fique por Dentro

O desperdício do lixo e de oportunidades econômicas

Publicado em: 08/junho/17   |   Autor: Adriana Santos

Por Clara Assunção 

Apesar do avanço da reciclagem, quase 170 milhões de brasileiros ainda não são atendidos com o serviço de coleta seletiva em suas cidades

Ter o lixo recolhido regularmente não é uma realidade para toda a população do Brasil, principalmente quando se trata do acesso à coleta seletiva. Indispensável para a reutilização e reciclagem de produtos e materiais, esse tipo de serviço ainda não consegue atender cerca de 82% dos brasileiros.

O dado faz parte do estudo encomendado no ano passado pelo Cempre (Compromisso Empresarial para a Reciclagem), e dá conta de uma situação preocupante: de um total de 5.570 municípios brasileiros, apenas 1055 deles operam programas de coleta seletiva, o equivalente a 18% do total.

O processo de coleta seletiva está como uma das primeiras etapas para o desenvolvimento da reciclagem, que visa atenuar os problemas advindos da geração de resíduos que só cresce no país. A separação do lixo reciclável, como papel, plástico, vidro e metal, do lixo orgânico, viabiliza o tratamento e a destinação independente para cada tipo de material, contribuindo para um ganho circular, que impacta na criação de empregos e de lucros para a economia.

Mas, o que o Cempre destaca é que a coleta e o destino final do lixo ainda são os pontos mais fracos dentro da gestão de resíduos no Brasil, o que contraria as diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Implantada em 2010, a PNRS pontua que todas as questões referentes à produção de lixo devem constar nos planos de gestão de todas as municipalidades. A orientação que cabe aos prefeitos, obriga-os a estender a todos os habitantes o serviço de coleta seletiva, garantindo a destinação correta de materiais recicláveis.

A situação de despreparo frente a possibilidade da reciclagem, vem acompanhada de um problema anterior ainda maior: a falta de acesso à coleta regular do lixo. Até hoje, 17,6 milhões de habitantes compõem o índice de déficit de atendimento do Sistema Nacional de Informações de Saneamento (SNIS), os dados fazem parte do último diagnóstico de resíduos sólidos de 2015.

Nas duas formas de coletas ? regular e seletiva ? há também indicações sobre a atuação de fatores regionais. De um lado, cerca de 47% da população rural enfrenta a pior situação com relação a questão da coleta regular, enquanto que na coleta seletiva, só as regiões Sul e Sudeste concentram juntas, 81% dos programas, enquanto as demais totalizam 19%. O contraste no acesso, evidencia que a separação do lixo comum e, principalmente, do lixo reciclável ainda é um ?luxo? no Brasil. O país deixa de arrecadar  8 bilhões de reais por ano ao desperdiçar as oportunidades com a reciclagem, conforme aponta o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A profissão de catador

Existem cerca de 800 mil catadores de rua, que atuam hoje em cooperativas ou de forma autônoma. Esse profissionais são responsáveis pela coleta de vários tipos de materiais que abastecem o mercado e a indústria recicladora e, portanto, são essenciais para os programas de coleta seletiva.

Umas das normativas previstas na lei de gestão de resíduos, PNRS, propõe a valorização dos catadores, seja por meio de ações que visam a inclusão dos trabalhadores no processos de reciclagem, ou por meio de investimento nas cooperativas e auxílio na formalização do trabalho.

Mas se por um lado a legislação reconhece a importância do catador, por outro, há muito a ser feito para incrementar as condições de trabalho destes profissionais. Ainda é preciso um entendimento da reciclagem para além do campo ambiental que propaga o discurso de preservação, mas que também abranja os desdobramentos nas esferas sociais e econômicas, associado à participação das prefeituras, empresas e cidadãos para auxiliar na promoção da reciclagem do país.

 

     

Newsletter

Receba novidades, informações de cursos, palestras e outros eventos da Fundação 1º de Maio.
Todos os campos são obrigatórios.
2017 Fundação 1º de Maio. Partido Solidariedade. © Todos os direitos reservados.